Machu Picchu
Machu Picchu é simplesmente a atração número um do Peru – e talvez da própria América Andina. Desde que a descoberta científica da cidadela inca foi anunciada pelo historiador americano Hiram Bingham em 1911, sua complexa e misteriosa arquitetura encastelada, cravada em um cenário montanhoso dramático, vem atraindo turistas de todo o mundo.
Tanta popularidade levou o destino, uma das Sete Maravilhas do Mundo, a sofrer com o turismo desenfreado e alguns dos preços mais altos do país. Mesmo assim, hordas de turistas desembarcam sem parar nessa antiga cidade inca de pedra, seja pela clássica Trilha Inca ou por trens vindos de Cusco. E motivos não faltam para tamanha determinação.
Machu Picchu, que em língua quéchua significa “montanha velha”, está localizada sobre uma montanha de granito e abriga impressionantes construções erguidas com pesados blocos de rocha. Cercado de enigmas a respeito de sua criação e serventia, o local, declarado pela Unesco como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade, está a 74 quilômetros de Cusco e a 2.430 metros acima do nível do mar.
Para muitos, é a viagem de uma vida.
QUANDO IR
A melhor época para conhecer Machu Picchu é de abril a novembro, quando o clima é mais seco e as chances de pegar céu limpo são maiores. Julho e agosto costumam ser altíssima temporada e a muvuca pode atrapalhar. Entre novembro e março, pancadas de chuva seguidas de deslizamentos de encostas podem ocorrer e estragar o passeio.
ONDE FICAR
Se hospedar na cidadezinha de Águas Calientes é a melhor opção para quem pretende ir bem cedo para a cidadela. O Sumaq Machu Picchu Hotel conta com quartos espaçosos, TV e aquecimento, além de serviço de spa. O El Mapi é um excelente hotel-design, com quartos contemporâneos bem iluminados e ótima culinária andina.
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O Inkaterra Machu Picchu Pueblo Hotel é uma hospedagem de estilo colonial que combina conforto e natureza, com massagens e sauna. Os quartos são amplos, com piso de azulejo e uma decoração que traz tapeçarias andinas, lençóis de algodão, cobertores de alpaca e dosséis.
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Para quem não tem a intenção de gastar muito com a hospedagem, uma opção mais barata é o Tierra Viva Machu Picchu, com paisagem das colinas ao redor. Entre os hostels, um dos mais conhecidos é o Casa Machu Picchu Hostel, que conta com dormitórios com vista para o rio Urubamba.
Em Machu Picchu, o hotel de luxo Belmond Sanctuary Lodge, da rede de hotéis Belmond, dá aos hóspedes a possibilidade de acessar o parque arqueológico com mais facilidade, já que fica a poucos passos da entrada da cidadela. São 31 apartamentos e suítes, sendo que de alguns dos quartos é possível ter uma vista privilegiada das montanhas. No local, o restaurante Tampu apresenta janelas do chão ao teto com vista da natureza e uma culinária que mistura pratos internacionais e peruanos.
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ONDE COMER
Antes de visitar Machu Picchu, vale fazer uma boa refeição para garantir energia nas subidas e descidas das escadarias de pedra. E um aviso importante: não é permitido comer dentro do sítio arqueológico.
Em Águas Calientes, você encontra opções como o Full House Peruvian Cuisine com pratos da cozinha peruana e uma vista incrível para o Rio Urubamba. Outra opção clássica é o Indio Feliz, um restaurante franco-peruano com mais de 30 anos de tradição, que combina sabores locais com toques franceses em um ambiente acolhedor e colorido.
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O QUE FAZER
Dentro de Machu Picchu, a visita é organizada por meio de circuitos que conduzem os viajantes pelos diferentes setores da cidade inca, cada um com ritmos, trajetórias e pontos de interesse próprios.
O Circuito 1 (Circuito Panorâmico) costuma durar cerca de duas horas e oferece algumas das vistas panorâmicas mais clássicas do sítio arqueológico, passando por áreas como o Templo do Sol, o Pozo Seco e a Plaza del Pisonay, além de incluir um trecho pela Reserva Arqueológica.
Já o Circuito 2 (Circuito Clássico), um dos mais completos, leva aproximadamente três horas e percorre alguns dos espaços mais emblemáticos de Machu Picchu, como a Plaza de los Templos, a Pirâmide do Intihuatana, as Qolcas Orientais, o Conjunto de Espelhos d’Água e o Templo do Condor.
O Circuito 3 (Circuito da Realeza), mais curto, concentra-se na parte baixa da cidade e evidencia aspectos do cotidiano inca, com visitas às antigas áreas de armazenamento, às zonas agrícolas em terraços e à Casa do Complexo Inca.
Independentemente do trajeto escolhido, cada circuito revela construções que impressionam não apenas pela engenharia, mas pela maneira como traduzem a visão de mundo dos incas. Entre os destaques estão o Templo do Sol, dedicado ao deus Inti; a Plaza Principal, centro das atividades cerimoniais; o Templo da Lua, com formações rochosas de forte simbolismo espiritual; e o Templo do Condor, onde as pedras talhadas remetem à ave sagrada andina.
Outras áreas também merecem destaque, como a Plataforma Superior, de onde se registra a foto clássica de Machu Picchu; a Zona Agrícola, com terraços que evidenciam o domínio das técnicas de cultivo; e a imponente Rocha Sagrada, que se assemelha ao topo das montanhas atrás dela, a Montanha Yanantin.
Todos os visitantes devem seguir rigorosamente os circuitos designados e as normas do parque, essenciais para garantir a preservação desse patrimônio histórico e natural.
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+ A Civitatis tem tour para Machu Picchu que inclui trem, ingresso e guia em português
Trilhas
Caso uma visita até a cidadela não seja o suficiente, há a possibilidade de fazer trilhas em uma das duas principais montanhas da cidade: a Machu Picchu ou a Huayna Picchu. Lembrando que no momento da compra, você deve decidir entre adquirir apenas a entrada para o parque ou incluir uma das trilhas. Confira mais detalhes sobre as montanhas:
Montanha Machu Picchu
A “velha montanha” é uma das principais atrações da cidade. Olhando a cidadela de Machu Picchu de frente, ela fica às suas costas. São 653 metros de subida e a trilha dura cerca de três horas ida e volta. Por ser mais longa e íngreme, ela é considerada mais cansativa que a trilha de Huayna Picchu. Para subir, é necessário encarar as milhares escadas que fazem parte do percurso, mas que valem a pena depois que o topo da montanha é atingido. De lá, é possível ver a cidadela bem pequena e todo o seu entorno.
Huayna Picchu
Na clássica foto de Machu Picchu, a Huayna Picchu é a montanha piramidal que fica ao fundo. A trilha é estreita e bastante íngreme, e é preciso se agarrar em cordas em alguns pontos, mas ninguém precisa ser um atleta para encarar. E, lá no alto, você vê as mesmas construções com janelas e pedras trapezoidais que vê lá embaixo e que serviam de celeiros para estocagem da colheita. Por ser um lugar alto, ventilado, os alimentos se conservavam por mais tempo. Ver Machu Picchu inteira de cima e a estradinha em ziguezague que sobe a montanha junto com outras montanhas é um deslumbre.
Soroche
Quando vão a Cusco (localizada há 3.400 metros acima do nível do mar) e a Machu Picchu, alguns visitantes costumam sofrer com o soroche, o dito “mal de altitude”. Entre os sintomas que o mal estar provoca, estão: náuseas, dores de cabeça, tontura, perda de apetite, insônia e falta de ar. A melhor estratégia para combater este mal estar é tomar muita água e não fazer muito esforço no dia em que chegar em Cusco. Machu Picchu está um pouco mais próxima do nível do mar, a 2.430 metros, então é bastante comum que, uma vez lá, os sintomas diminuam e até desapareçam. Leve a sério o soroche quando chegar em Cusco, não é incomum ver turistas nocauteados. Comer bem, evitar gorduras e recorrer ao chá de coca podem ajudar. Buscar por remédios popularmente chamados de “soroche pills” também pode ajudar, mas consulte antes um médico.
Regras de visitação
Para visitar Machu Picchu, é preciso seguir um esquema bem organizado de circuitos e horários – algo que ajuda a controlar o fluxo dentro da cidadela e a preservar o sítio arqueológico. Desde junho de 2025, todas as visitas passaram a ser distribuídas entre três circuitos oficiais: Circuito Panorâmico, Circuito Clássico e Circuito da Realeza.
Cada um oferece um jeito diferente de conhecer a cidade inca, seja pela parte alta, pela área central ou pelo setor mais próximo dos templos e construções cerimoniais. No momento da compra já é preciso escolher qual circuito seguir e em qual horário entrar. Você pode adquirir os ingressos pelo site.
Os bilhetes têm horários começando às 6h e indo até as 15h, com tolerância de apenas uma hora. Depois disso, a entrada não é mais permitida. O visitante dispõe de até 4 horas dentro do parque para completar o trajeto escolhido. Importante: não existe reentrada, quando o circuito termina, é obrigatório sair; para voltar no mesmo dia, só comprando um novo bilhete.
A partir de 2025, Machu Picchu passou a receber até 5.600 visitantes por dia na alta temporada, graças à reorganização dos circuitos e à criação de 10 rotas possíveis dentro deles. As compras podem ser feitas no site oficial.
Objetos como pau de selfie, tripé, mochilas muito grandes, sombrinhas, bebidas alcoólicas, carrinhos de bebê e drones passaram a ser proibidos no local. Veja aqui uma lista completa de itens proibidos.
Como chegar
Avião
A Latam voa direto para Lima partindo de Guarulhos, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília e, da capital peruana, segue para Cusco. A Sky também voa de Guarulhos para Cusco com conexão em Lima.
Importante: o aeroporto de Cusco, cercado por montanhas, é um dos mais desafiadores e ingratos para os pilotos da aviação comercial e, não raro, pode fechar devido o mau tempo. Se você comprar o trecho Cusco – Lima separado do trecho de Lima – Brasil na esperança de retornar para a sua cidade no mesmo dia, saiba que há grandes chances de o voo que parte Cusco atrasar ou mesmo ser cancelado devido às intempéries. Caso isso aconteça, será preciso arcar com multas ou até com uma nova passagem para o Brasil. Comprar o bilhete Cusco – Brasil na mesma reserva livra você dessa dor de cabeça porque a aérea é obrigada realocar o passageiro no próximo voo em caso de atrasos.
Documentação: Turistas brasileiros devem ter passaporte válido por no mínimo seis meses no momento da saída do Peru. O RG também é aceito como documento de viagem, mas deve estar em bom estado de conservação; saiba mais aqui.
Trem
A terceira etapa pede que você viaje de Cusco até Águas Calientes (também conhecido como MachuPicchu Pueblo), a última parada antes de chegar na cidade dos Incas. Para chegar até o vilarejo é preciso pegar um trem, que é operado pela Peru Rail (que inclui o luxuoso trem Hiram Bingham) e pela Inca Rail com preços variando de acordo com a categoria escolhida. A viagem dura de duas a três horas.
A Peru Rail, por exemplo, tem o Vistadome, com janelas e teto panorâmicos; o Expedition, voltado para mochileiros, mais barato; e o Hiram Bingham, um serviço luxuoso da rede Belmond, que inclui refeições a bordo, música ao vivo, um bar com coquetéis peruanos.
Já a Inca Rail conta com quatro tipos de trens: The Voyager possui vagões decorados, música de fundo e janelas amplas. O The 360º possui janelas mais elevadas e um vagão ao ar livre. Os trens da primeira classe têm assentos mais confortáveis com mesas, coquetéis de boas-vindas e um lounge decorado com poltronas. O trem The Prime inclui poltronas igualmente confortáveis e menu degustação.
Até Águas Calientes você pode escolher sair de Cusco (3h) ou Ollantaytambo (2h). Quem sai de Ollantaytambo economiza uma hora de viagem e ainda conhece importantes ruínas arqueológicas e vistas incríveis do Vale Sagrado.
Uma vez em Águas Calientes, o visitante pode fazer uma longa caminhada até a entrada do sítio ou tomar um dos ônibus que sobem até o local. Procure ir cedo para aproveitar a atração sem pressa.
Trilha Inca
Para alcançar Machu Picchu, o jeito clássico é mesmo a pé pela Trilha inca. São várias rotas para se chegar ao alto da montanha. A caminhada mais comum é a que leva quatro dias de duração e cruza montanhas como Warmiwañusqa e Runkuraqay, a 4.200 e 3.860 metros sobre o nível do mar, respectivamente.
A viagem começa em Piskacucho, pequeno povoado localizado no km 82 da ferrovia Cusco-Machu Picchu, a mesma por onde passam os trens que ligam Cusco a Águas Calientes. Dali, a caminhada costuma seguir o seguinte roteiro: 1.º dia (sete horas): Piskacucho-Llulluchapampa; 2.º dia (oito horas): Llulluchapampa-Chaquicocha; 3.º dia (sete horas): Chaquicocha-Wiñaywayna; 4º (uma hora e meia): Wiñaywaya – Intipunku.
Quem quiser ver as ruínas de Qoriwayrachina, Waynaq’ente e Machuq’ente deve seguir pela rota que sai do km 88 da mesma via férrea. O viajante que tiver menos tempo disponível pode realizar o roteiro de dois dias, que começa no km 104.
É recomendado que cada viajante leve seu saco de dormir (escolha um que resista a baixas temperaturas) e seus bastões de caminhada, que podem ser comprados em Cusco. As botas já devem estar amaciadas, do contrário é muito provável que você adquira doloridas bolhas.
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