Petrópolis
Pode parecer contraditório, mas foi graças ao calor que Petrópolis foi fundada e entrou no mapa turístico. Irritado com as altas temperaturas da então capital federal, o Rio de Janeiro, Dom Pedro II e toda a realeza buscavam o clima ameno da serra para passar os meses de verão. Palácios foram erguidos aos montes e hoje a cidade preserva várias construções desse gênero, algumas abertas à visitação. Essa atmosfera imperial, aliada a deslumbrantes paisagens montanhosas, fez crescer o turismo na cidade, trazendo pessoas em busca de requinte e sossego, transformando o destino em um polo de pousadas charmosas e gastronomia de primeira.
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QUANDO IR
Os fins de semana são sempre concorridos, principalmente no inverno, quando as chuvas são raras e o frio aparece com força. Junho e julho concentram os períodos mais cheios, puxados por dois grandes eventos: a Bauernfest, considerada a maior festa alemã do Sudeste, e o Festival de Inverno, com uma programação diversa de shows, concertos e apresentações culturais. Nesse período, também acontece a Serra Wine Week, um festival de vinhos que movimenta restaurantes e bares da cidade, normalmente ao longo de junho.
ONDE FICAR
O clima de nobreza respingou na hotelaria petropolitana, com muitas hospedagens de charme distribuídas pela área central e pela a maioria dos distritos da cidade. Em meio às montanhas e palácios imperiais, pousadas e hotéis tentam cativar seu público nos detalhes. Muitas delas, com ótimos restaurantes a disposição não só dos hóspedes, como do público externo.
A elegantíssima e luxuosa Casa Marambaia é um hotel boutique localizado em Corrêas que tem jardins de Burle Marx, decoração impecável e gastronomia de primeira. Lá, os quartos contam com varanda com vista para o lago.
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Localizado em uma construção de 1875 na avenida mais arborizada do Centro, o Solar do Império “convida” os hóspedes a se sentirem parte da realeza. Perto dali o Grande Hotel Petrópolis ocupa um prédio histórico de 1930, próximo ao Museu Imperial. Mais discreta e reservada, a Pousada Monte Imperial fica numa área mais tranquila do Centro, com uma bela vista das montanhas.
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Aliás, acordar, abrir a janela e se deparar com uma profusão de montanhas é uma constante por lá. Em Côrreas, no começo da estrada que vai para o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a Pousada da Alcobaça ocupa um casarão normando com belíssimo jardim a cercando – sem contar a comida de vovó preparada por lá. No Vale do Cuiabá, a Quinta da Paz e a Tankamana aliam isolamento e belas paisagens.
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Para quem prefere linhas mais contemporâneas, o Kastel Petropólis foi inaugurado em 2023. Possui acomodações com pequenas cozinhas e uma piscina coberta.
Apesar do foco em casal, muitas pousadas aceitam crianças. Mas Petrópolis guarda algumas opções com muito lazer para a molecada. Fazem parte desse time o Bomtempo Itaipava e o Bomtempo II Chales.
Entre as ditas hospedagens para dormir bem e comer melhor está a Locanda Della Mimosa, com culinária italiana.
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ONDE COMER
A qualidade dos ingredientes produzidos na região e a proximidade da capital fluminense fazem de Petrópolis um importante polo gastronômico. Os distritos de Itaipava e Araras concentram as principais mesas – com frequência dispostas em salões com lareira e/ou à luz de velas. Dependendo de onde você estiver hospedado, será preciso encarar uma pequena viagem até o restaurante – do Centro ao Vale das Videiras, onde fica o Restaurante Nas Videiras, o deslocamento pode levar uma hora.
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O trecho da Estrada União e Indústria em Itaipava é um reduto de ótimas casas por metro quadrado. O italiano Il Perugino, o espanhol Parador Valência… a Europa está muito bem representada por lá.
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Você também pode se deliciar da culinária europeia no restaurante português Transmontano, localizado no bairro Valparaíso. Já para os fãs das massas italianas, boas pedidas são o Luigi e a Cantina Giulietta, ambos no Centro.
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Distrito localizado entre as montanhas, Araras é o point para um jantar a dois. Lá, o Afrânio, serve pescados num ambiente aconchegante cercado por natureza, ideal para um encontro.
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Multipremiada, a cozinha do Locanda Della Mimosa prepara pratos da moderna cozinha italiana. A reserva é obrigatória para quem não está hospedado por lá.
Comer em Petrópolis mexe no bolso, mas há bons lugares para comidinhas: o Pavelka e a Casa do Alemão disputam o título de melhor croquete de carne da cidade, o Bordeaux é famoso pelos sanduíches, massas e carta de vinhos, enquanto que, na Casa da Princesa Isabel, o Duetto’s Café serve expressos caprichados.
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O QUE FAZER
Cultura e história
Um dia é pouco para conhecer o centro de Petrópolis. Caminhar pela região é quase como atravessar diferentes capítulos da história do Brasil. A começar pela Casa de Petrópolis, conhecida como Casa dos 7 Erros, que funciona em um casarão histórico e reúne exposições, concertos, palestras e atividades ligadas à memória da cidade. Além da programação cultural, a própria arquitetura do imóvel já vale a visita, com jardins projetados por Auguste Glaziou e ambientes que preservam detalhes originais.
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O Palácio de Cristal surge como um dos cartões-postais mais fotogênicos da cidade. A estrutura de ferro e vidro, inspirada em modelos europeus, foi inaugurada em 1884 e até hoje mantém a vocação para eventos. É ali que acontecem festas, feiras e apresentações culturais, com destaque para a Bauernfest, quando a região ganha música e gastronomia típica alemã. Mesmo fora dos grandes eventos, o passeio pelos jardins ao redor é um respiro no meio do Centro.
Natureza
Entre as três sedes do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, a de Petrópolis é a menos estruturada. E o perfil do visitante, aqui, é mais aventureiro na comparação com quem chega por Teresópolis ou Guapimirim.
As atividades resumem-se ao Circuito das Bromélias, com piscinas naturais; à Cachoeira Véu da Noiva, onde se praticam rapel; e à Pedra do Açu, de onde se observam a Baia da Guanabara e o Dedo de Deus. A melhor época para visitar o parque é entre maio e outubro, quando chove menos.
O Santuário do Vale do Amor, nasceu com a proposta de promover o diálogo entre diferentes crenças. Essa ideia ganha forma em cenários inspirados em tradições do mundo todo, como o xintoísmo, hinduísmo, budismo, taoísmo e religiões de matriz africana, todas representadas ao longo do percurso. O espaço reúne áreas voltadas ao recolhimento, à contemplação e também às práticas corporais, por isso recebe com frequência atividades em grupo, como sessões de meditação e ioga.
Compras
Antenor e Filhos são os grandes fornecedores dos restaurantes por aqui. A família cria pato, galinha d’angola e leitão, vendendo em um empório de Itaipava. Lá também há congelados, vinhos e cervejas.
Outro grande fornecedor de hotéis e restaurantes, o Sítio do Moinho fica em Itaipava, no subdistrito de Santa Mônica. Lá, verduras e legumes orgânicos crescem ao som de música clássica com alto-falantes postados no solo. Na lojinha, vende-se ainda pães e sucos.
No centrinho do Vale das Videiras, perto de Araras, o Galpão Caipira é um mix de armazém (vende pães e queijos produzidos na região, além de utensílios para a casa), bar e ponto de partida para trilhas, percorridas a pé ou de bike.
Sábado e domingo, no principal trevo de Itaipava da BR-040, funciona a Feirinha de Itaipava, com todas 390 lojinhas abertas. Lá, comercializam malhas, casacos e acessórios a preços bem camaradas. No local, há restaurantes e pastel de feira.
Roteiros
Um dia perfeito
Poucas atrações na cidade abrem antes das 10h, mas para entrar no clima imperial, vale caminhar pela Avenida Koeller e Rua da Imperatriz para admirar os palácios. Entre essas duas vias, está a gótica Catedral de São Pedro de Alcântara. Após o almoço, reserve duas horas para o Museu Imperial, residência da nobreza nos verões do século 19. Termine o dia fazendo o Tour Cervejeiro na Cervejaria Bohemia.
Sugestões de roteiro
1 dia – Para quem vem no esquema bate-volta, o roteiro básico é chegar cedinho e ir direto ao Museu Imperial e esticar para a Catedral de São Pedro de Alcântara, a poucos passos dali. Para não perder muito tempo, o almoço tardio pode ser na Pavelka ou na Casa do Alemão, que servem bons sanduíches de linguiça e croquetes de carne. No fim do dia, a pedida é conhecer o suntuoso Palácio Quitandinha.
2 dias – Em um fim de semana dá para explorar todas as atrações do Centro Histórico, como o Palácio de Cristal, a Casa de Santos Dumont e a Casa de Petrópolis, e ainda aproveitar a noite de Itaipava. Lá estão vários restaurantes, como o Il Perugino.
4 dias – Com mais tempo, é hora de explorar melhor as opções de compras de Itaipava. Ao longo da Estrada União e Indústria estão várias galerias e lojas bacanas, como a Cerâmica Luiz Salvador. Refeições memoráveis são feitas no Locanda della Mimosa, no Vale Florido, hotel com forte verve gastronômica. Vale também, a partir de Itaipava, esticar a viagem até Teresópolis, a 35 quilômetros dali, em um dos mais belos trechos rodoviários do Brasil, atravessando a Serra dos Órgãos.
Como chegar
Do Rio de Janeiro, siga pela BR-040, duplicada até o início da serra. A partir dali, as pistas se bifurcam e são mais 20 km até Petrópolis. De ônibus, há saídas do Terminal Novo Rio a cada 30 minutos, entre 5h30 e 0h (Única, 1h30 de viagem); o desembarque é feito na rodoviária de Bingen, a 8,5 km do Centro. Além de táxi, a linha 100 de ônibus municipal faz a ligação entre os dois locais.
Como circular
Petrópolis tem vários distritos ao longo da BR-040 e da Estrada União e Indústria (alguns deles, como Secretário e Vale das Videiras, ficam a mais de 40 km do Centro). Se a ideia é hospedar-se nos arredores, vir de carro é fundamental. Itaipava, a 17 km do Centro, tem bons restaurantes e lojas, enquanto que Araras e Vale do Cuiabá, 8 km e 11 km distantes de Itaipava, são refúgios de casais em busca de sossego. Ônibus urbanos atendem essas regiões, mas prepare-se para perder muito tempo em deslocamentos. Na área central ficam as principais atrações da cidade e dá para fazer tudo a pé.
Petrópolis tem sérios problemas no quesito trânsito. Na hora do rush, é preciso muita paciência para circular, não só pelas apertadas ruas centrais como também no distrito de Itaipava.
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