Roteiro: 48 horas em Nápoles, na Itália

A imagem de cidade mafiosa ficou para trás. Otimismo, alegria – e pizza! – é o que você vai ver lá

Por Da Redação
Atualizado em 13 dez 2024, 16h56 - Publicado em 5 dez 2024, 14h00
Um dos ângulos mais célebres da cena napolitana: o Vesúvio lá atrás, o mar logo ali, o casario...  (Aversa Taxi/Unsplash)
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Apesar de não ter a melhor das reputações, Nápoles vale a pena. No sul da Itália, a cidade tem uma beleza não óbvia com construções históricas, como o Castel dell’Ovo e o Palácio Real, um Centro Histórico autenticamente italiano com roupas penduradas nas janelas e um charmoso trecho à beira-mar.

Nos últimos anos, o interesse por Nápoles tem crescido e a autora Elena Ferrante tem um papel importante nisso. A tetralogia de Amiga Genial, que acompanha as amigas Lenu e Lila pelas ruas da periferia napolitana na década de 1950, criou uma febre literária e turística. É impossível sair das páginas da autora sem o desejo de conhecer a cidade.

O clima é agradável na primavera, de maio a junho, e no outono, de setembro a outubro. Julho e agosto são muito quentes.

Confira nosso roteiro de dois dias em Nápoles:

Dia 1

9h30: Doçuras

O napolitano está longe de se orgulhar só de suas pizzas. A importância do baba ao rum e da sfogliatella tem de ser considerada! O primeiro é um bolo embebido em rum, açúcar e cascas de limão e laranja. O segundo leva recheio de ricota e fruta cristalizada.

O Scaturchio tem tradição, desde 1905, nesses doces. Fornadas de sfogliatella saem o dia inteiro. São sete unidades em Nápoles, uma delas perto da estação Università do metrô, na Piazza S. Domenico Maggiore.

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10h: Figurinhas

Pegue a Via San Biagio dei Librai para encontrar um dos trechos mais artísticos de Nápoles, em que artesãos vendem, desde o século 18, presépios e figuras sacras. Na Via San Gregorio Armeno, no Centro Histórico, existem estruturas inteiras que até se movem. Nas lojas Ferrigno e Fratelli Capuano, você consegue assistir à confecção de peças do presépio.

As peças religiosas e estátuas da pulcinella (máscaras da commedia dell’arte, gênero teatral de 300 anos) dividem espaço com representações satíricas de personagens da cultura pop e figuras políticas. Espere muvuca em novembro e dezembro.

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11h: Leão no Norte

O número 19 da Via Benedetto Croce guarda o Palazzo Venezia, lembrança dos tempos em que o Reino de Nápoles e a República de Veneza eram parceiros comerciais. No século 15, o prédio foi doado pelo rei napolitano aos venezianos para acolher seus cônsules. O jardim suspenso é lindo e o prédio possui paredes vermelhas e colunas. O lugar tem recitais, concertos e cursos.

Palazzo Venezia, Nápoles, Itália
O Palazzo Venezia está a poucos metros da Igreja de Santa Chiara e da Piazza del Gesù Nuovo (Sailko/Wikimedia Commons)
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A Nápoles de Elena Ferrante

O bairro onde Lenu e Lila cresceram não é nomeado por Elena Ferrante, mas acredita-se que seja baseado no Rione Luzzatti, no sul da cidade. Embora não seja turística, a região tem simbolismo para os fãs, que podem ver as descrições dos livros materializadas. Estão lá o estradão, a linha de trem, os pântanos, a Biblioteca Popolare Rione Luzzati, a Scuola Elementare Quattro Giornate e a Paróquia da Sagrada Família, mas também a degradação e a pobreza.

Outro marco dos livros é o Centro Histórico. Distante do Rione Luzzatti, a região central é frequentada pela primeira vez por Lenu quando seu pai a ensina o caminho para chegar até o liceu. Repleto de história, alguns dos pontos turísticos são mencionados no livro, como o monumento a Carlo III na Piazza Plebiscito e o castelo Maschio Angioino. No fim do Centro, a rua Port’Alba, repleta de sebos e livrarias, era frequentada por Lenu.

Da Piazza Dante, na região central, é possível ir para a Via dei Tribunale, repleta de igrejas e onde Lenu ia a reuniões políticas. Daí, seguir para a Nápoles subterrânea, cujas fileiras de caveiras foram descritas como assustadoras pela personagem.

Depois do Centro Histórico e da Via Toledo, chega-se à Via Chiaia, onde ocorre o comovente episódio com os irmãos Solara no Fiat 1100. Caminhe até a elegante Piazza dei Martiri, cercada por cafeterias e lojas de grife, onde fica a loja de calçados desenhados por Lila nos livros.

12h30: Mistérios

A Igreja del Gesù Nuovo, de 1601, possui uma misteriosa fachada, com centenas de silos empilhados, formando um paredão grandioso. Pare bem perto dele e olhe para cima: você verá sinais na parte de baixo da fachada.

Por séculos, moradores, turistas e estudiosos tentaram entender seu significado. Mas a simbologia foi revelada em 2011 pelo historiador Vincenzo De Pasquale: é uma partitura no alfabeto de Jesus, o aramaico (escute a música aqui).

Igreja del Gesù Nuovo, Nápoles, Itália
A Igreja del Gesù Nuovo teve um mistério que durou séculos… (Berthold Werner/Wikimedia Commons)

13h30: Fritos

Eis um lugar napolitano de raiz para um almoço barato e veloz. Na Friggitoria Fiorenzano, onde se come em pé, tem uma gostosa pizza fritta, que lembra um pastel. Lá há também bolinhos de peixe e batatas assadas.

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14h30: Tudo azul

Aproveite que está perto da estação Toledo e vá de metrô até o Museo Archeologico Nazionale di Napoli. O metrô da cidade, aliás, é um programão por causa de suas estações artísticas, distribuídas nas linhas 1 e 6 (a Garibaldi tem caramujos gigantes; a Università, um teto estilizado; a Dante, um trecho da obra Convivio, de Dante Alighieri, em neon). Mas a Toledo é a mais bonita, com um mosaico azul das paredes ao teto e um túnel com luzes piscantes.

Estação de metrô Toledo, Nápoles, Itália
Túnel da estação de metrô Toledo (zaiar 95/Wikimedia Commons)

Embarque rumo a Piscinola e desça duas paradas depois, em Museo. A construção avermelhada do Museo Archeologico Nazionale di Napoli tem esculturas greco-romanas da Campanha, mosaicos vesuvianos e afrescos de Pompeia. Para virar a chavinha do antigo para o contemporâneo, siga para a Via Settembrini, até o Madre Museo, com obras de Richard Serra e Jeff Koons.

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18h30: Chá de cadeira

Chegue cedo a uma das mais famosas pizzarias de Nápoles. No Centro, entre becos e motos, a Gino Sorbillo é patrimônio local. Na cidade pizzaiola, poucas redondas valem a fila – há sempre bons lugares menos lotados. Massa fininha, a margherita tem tudo para ser a melhor da sua vida.

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21h30: Saúde!

Clima descontraído e ampla opção de bares, a noite é longa em Nápoles. O Superfly, pequeno e escurinho, serve ótimos drinques. Fica na Via Cisterna dell’Olio, 12, a dez minutos do Gino. Divirta-se!

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Reis da cocada

Pompeia…

As ruínas ficam a meia hora de trem de Nápoles. Pegue na estação central até Pompei Scavi-Villa dei Misteri (os vagões são detonados). A cidade soterrada pelo Vesúvio é o terceiro local mais visitado do país. Garanta ingresso no site. Dá para ir ao sítio num bate e volta a partir de Roma: saia antes das 8h, pegue um trem rápido e, na estação central de Nápoles, troque de trem até Pompeia. A viagem dura 1h30.

…E o vesúvio

O vulcão é uma ameaça constante a Nápoles, mas também um passeio popular. Para chegar à cratera, é preciso comprar o combo ingresso + guia, por € 10 no site. Dá para ir de trem direto de Pompeia, via Tramvia, ou de ônibus, a partir da Piazza Piedigrotta, em Nápoles (a estação de metrô mais próxima do local é a Mergellina), em uma viagem de 1h30.

+ A Civitatis tem excursão para Pompeia e o Vesúvio

Dia 2

9h: Submerso

A uma hora de Nápoles, na comuna de Pozzuoli, fica o Parque Arqueológico Submerso de Baia. Espécie de Pompeia submarina, é uma antiga cidade que afundou por causa das movimentações vulcânicas.

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Para chegar, vá até a estação Montesanto e pegue o trem na ferrovia Cumana que leva até Pozzuoli. Desça em Fusaro, a 500 metros do parque. O mais legal é mergulhar com snorkel para ver o que o mar conservou do lugar, cheio de estátuas romanas. 

+ A Civitatis tem tour de caiaque pelo Parque Arqueológico Submerso

13h: Pasta e basta

Parta de Fusaro e desça na parada Corso Vittorio Emanuele. Ali perto, na Via S. Teresa a Chiaia, a Trattoria dell’Oca serve o delicioso mezzanelli allo scarpariello, massa rústica, com molho de tomate-cereja. Vai bem com um vinho da Campanha.

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14h30: Passeggiata

Seguindo reto em direção ao leste, você chega à Via Chiaia, uma das mais comerciais da cidade. A rua termina (começa, na verdade) ao lado da Piazza del Plebiscito, palco de manifestações culturais importantes. A Basilica di San Francesco di Paola abraça a praça. Erguida no século 19, tem colunas forjadas com um dos mármores mais raros da Itália, do tipo mondragone.

Piazza del Plebiscito, Nápoles, Itália
A Piazza do Plesbiscito tem semelhanças com a Praça do Vaticano (Sergey Ashmarin/Wikimedia Commons)

De lá, parta em direção à Via Toledo, mas faça uma pausa para um sorvetinho na confeitaria Mennella – prove o de pistache. A linda Galleria Umberto I, da mesma época que a gêmea milanesa, a Vittorio Emanuele II, fica a poucos passos dali.

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17h: Espanhóis

No caos organizado que é o trânsito de Nápoles, as motos imperam. Nos Quartieri Spagnoli, antiquíssimo bairro, só dá elas – a maioria das ruas não comporta carros. O bairro, do século 16, é acessível de vários pontos da Via Toledo: de lá, suba e se perca pelas ruas lotadas de vendinhas, casas modestas e artesãos.

Veja as roupas que pendem de varais improvisados, os vasci (diminutas casas térreas imortalizadas até por Boccaccio) e os murais em homenagem a Maradona. Um verdadeiro museu sob o Vesúvio.

Quartieri Spagnoli, Nápoles, Itália
A esquina do mural de Maradona é um museu a céu aberto para o jogador, com mercadorias e homenagens (Alberto Sharif Ali Soleiman/Unsplash)

20h: Grand finale

Na Via Pignasecca, fica a Pizzeria Al 22, do premiado mestre pizzaiolo Giovanni Improta. A pizza lasagna, com mussarela, ricota e presunto cru, é uma beleza. Na Itália, as redondas são acompanhadas de cerveja, e a casa tem boas opções alemãs. Fecha aos domingos.

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Macabro, mas legal

O Cimitero delle Fontanelle é um misto de culto religioso, história e tradições populares ao norte de Nápoles. O enorme ossário com esqueletos dispostos de forma pitoresca era destinado ao culto das almas estacionadas no Purgatório e foi ponto de peregrinação.

Adotava-se um crânio, rezava-se para que ele conseguisse entrar no Paraíso e, confiando que isso acontecesse, a pessoa seria agraciada com um milagre. O local foi o destino derradeiro de mortos por cólera e peste no século 17.

 

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